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domingo, 4 de julho de 2010

DESENVOLVIMENTO DOS RECURSOS HÍDRICOS SUBTERRÂNEOS DA REGIÃO DA GRANDE NATAL - RN

JOSÉ GERALDO DE MELO
Professor do Departamento de Geologia da Universidade Federal do
Rio Grande do Norte, DG - UFRN
Campus Universitário, Lagoa Nova - Caixa Postal: 1639
Telefone: (084)2319809 - Fax:(084)2319749 - e-mail: geologia@dimap.ufrn.br.
CEP: 59072-970 - Natal - RN - Brasil
MARCELO AUGUSTO QUEIROZ
Chefe da Divisão de Atividades Hidrogeológicas da Companhia de Águas e Esgotos do Estado
do Rio Grande do Norte - CAERN
Av. Senador Salgado Filho, 1555, Lagoa Nova - Caixa Postal: 74
Telefone: (084)2214236 - Fax: (084)2113190
CEP: 59056-000 - Natal - RN - Brasil

ANTECEDENTES HISTÓRICOS
O uso de águas subterrâneas na cidade de Natal remonta no século passado, mediante a captacão d'água através de cacimbões.
Por volta de 1902 foram construídos os primeiros poços tubulares, levando Natal a ser conhecida , nas primeiras décadas do século XX , como a cidade dos cataventos.
No ano de 1924 foi desenvolvido pelo engenheiro Henrique Novaes do Rio de Janeiro, o primeiro projeto para abastecimento d'água de Natal. O projeto previa a perfuração de poços tubulares e a indicação das lagoas de Jiqui e Extremoz para o futuro abastecimento da cidade, tendo sido parcialmente implantado. Com o passar do tempo e de conformidade com o incremento populacional, o sistema de abastecimento d'água de Natal foi sendo modificado, com ampliações e melhorias nas captações de águas subterrâneas, garantindo desta feita o consumo satisfatório de água para a população até os dias de hoje.
Na década de 60 foi implantada a captação d'água às margens da lagoa de Jiqui através de poços amazonas (cacimbões), que posteriormente foi substituída por tomada direta na lagoa.
No início dos anos 70 aconteceu a transformação do Departamento de Saneamento do Estado em Companhia de Águas e Esgotos do Estado do Rio Grande do Norte - CAERN, com a contratação de estudos que resultaram na reformulação, ampliação e modernização dos sistemas existentes..
É de 1979, a data de implantação do sistema de abastecimento d'água da Zona Norte, com a utilização de águas da lagoa de Extremoz
O SISTEMA HIDROGEOLÓGICO
Os estratos geológicos que formam o sistema hídrico subterrâneo na Região da Grande Natal são as formações dunares, os sedimentos superiores e os sedimentos inferiores do Grupo Barreiras. Faz ainda parte do sistema, os poços de captação d'água, as fontes, as lagoas e os cursos d'água superficiais.
As dunas são coberturas de areia de espessuras muito variadas e condicionadas ao relevo local.
Os estratos arenosos do Grupo Barreiras, constituem o denominado aquífero Barreiras.
Na Zona sul da cidade de Natal, em uma área de 90 km2, o Sistema Aquífero Dunas/Barreiras apresenta um potencial da ordem de 330x106 m3 e reservas explotáveis de 70x106 de m3/ano, sem considerar parte das reservas permanentes (MELO et al, 1994 e MELO, 1995). No caso da Grande Natal, os recursos explotáveis, com base nas informações existentes, foram estimados em 280 x 106 m3 / ano.
A lagoa de Extremoz, de acordo com os estudos realizados por. FIGUEIREDO (1984), apresenta uma disponibilidade hídrica da ordem de 29 x 106 m3 / ano, com risco de falha de apenas um ano em um século. No caso da lagoa de Jiqui, as informações sobre suas potencialidades se limita ao estudo executado pela PLANAT(1982), que indica reservas potenciais de 30 x 106 m3 / ano e como reservas explotáveis o equivalente a 15 x 106 m3 / ano.
APROVEITAMENTO DOS RECURSOS HÍDRICOS
Unidades de captação e suas características
As águas subterrâneas do sistemas públicos de abastecimento são captadas através de 159 poços tubulares, agrupados em unidades de captação.
Os poços apresentam profundidades que variam de 35,0 a 150,0 m, produzindo de 15 a 180 m3 / h de água.
São perfurados em diâmetros de 10 e 12 polegadas, revestidos com tubos geomecânicos de 6 e 8 polegadas e filtros de aço inoxidável e geomecânicos de 6 e em alguns casos de 8 polegadas.
Quanto aos poços particulares, não se tem conhecimento preciso de sua quantidade. Acredita-se, entretanto, que deve se aproximar de 400 unidades. Apresentam na grande maioria dos casos problemas construtivos e produzem em média 5 m3 / h.
Volumes d'água explotados
O sistema público de abastecimento d'água da cidade de Natal, atende cerca de 90 % da comunidade local com água potável. A população atual do município é de 695 863 habitantes, segundo dados oficiais do IBGE de 1991 projetados para 1995 com índice de crescimento de 3,5 %. A demanda anual de água é de aproximadamente 76 x 106 m3.
De acordo com os dados fornecidos pelo Distrito Metropolitano da CAERN (abril, 1996) é bombeado anualmente dos mananciais subterrâneos e superficiais (lagoas) um volume d'água da ordem de 80 x 106 m3 para o suprimento hídrico da cidade de Natal, havendo um excedente de água de 11,6 x 106 m3 além das necessidades (atender a 90 % da comunidade). Há, portanto, cerca de 15 % de perdas d'água .A Zona Sul desta cidade detém 73 % do volume d'água utilizado e a Zona Norte, apenas 27% (Fig. 2a), devido a demanda relativamente baixa desta.
O volume d'água explotado do manancial subterrâneo, através de poços tubulares, é da ordem de 52,0 x 106 m3 / ano, o que representa 65 % do total de recursos destinados a cidade. O restante, 35%, são águas provenientes das lagoas de Jiqui e Extremoz (Fig. 2b). Obseve-se na Fig. 2c e Fig. 2d que o volume de água subterrânea utilizado na Zona Sul da cidade de Natal é muito maior (79%) do que o bombeado da lagoa de Jiqui (21%)e no caso da Zona Norte , é o contrário, as águas subterrâneas representam apenas 27% contra 73% de águas da lagoa de Extremoz.
As demais cidades da Grande Natal são abastecidas totalmente por águas subterrâneas .
Em termos globais, o volume d'água destinado a Grande Natal, de conformidade com as demandas d'água das cidades, é de 94 x 106 m3 /ano , no qual as águas subterrâneas contribuem com 70 % deste volume e o restante (30 %) são águas bombeadas das lagoas de Jiqui e Extremoz (Fig. 2e).
ALTERNATIVAS DE CAPTAÇÃO
As águas subterrâneas do aquífero Barreiras apresentam-se como o recurso mais favorável no atendimento a demandas d'água da Região da Grande Natal, já que as estimativas das reservas explotáveis indicam uma ordem de grandeza de 280 x 106 m3 /ano e as necessidades hídricas do sistema público de abastecimento serão no ano 2020 de cerca de 208 x 106 m3 /ano
O volume d'água bombeado da lagoa de Jiqui para suprimento hídrico da Zona Sul da cidade de Natal, que é de 12 x 106 m3 / ano, já está bastante próximo dos limites de suas disponibilidades (15 x 106 m3 / ano), o que mostra que esta lagoa não pode ser tomada como suporte para futuras ampliações no sistema de captação.
A lagoa de Extremoz, admitindo o potencial explotável de 29 x 106 m3 / ano, apresenta ainda uma disponibilidade de água de 12,7 106 m3 /ano, considerando que 16,3 x 106 m3 já são explotados no suprimento hídrico da Zona Norte.
O suprimento hídrico da Grande Natal, na impossibilidade de uso das águas subterrâneas do aquífero Barreiras, por motivos quaisquer, teria como alternativa a implantação de sistemas de custos excessivamente elevado, como é o caso da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves localizada a 200 km da cidade de Natal..
ASPECTOS DA DEGRADAÇÃO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS
As águas subterrâneas da Região da Grande Natal são vulneráveis ao processo de degradação pelas atividades do desenvolvimento urbano, salientando-se entre elas o uso de sistemas de saneamento com disposição local de efluentes e a ocupação irregular e desordenada do terreno. No primeiro caso, tem-se a influência direta na qualidade das águas, com o risco de contaminação das mesmas por nitratos, oriundos da biodegradação dos excrementos humanos. No segundo caso, a influência maior é na infiltração das águas no terreno, modificando desta feita as condições naturais de recarga do sistema aquífero. Também, tem influência indireta na qualidade das águas, já que o volume d'água infiltrada para lixiviação dos solos e diluição de contaminantes será menor.
Esta vulnerabilidade do sistema aquífero ao processo de contaminação das águas é atribuída as feições geomorfológicas e estrutura hidrogeológica. Essas, por sua vez se caracterizam pela existência do capeamento de areias de dunas, pela formação de bacias fechadas, pela ocorrência de lagoas e sobretudo pela conexão hidraúlica das dunas com os sedimentos Barreiras.
Os estudos realizados recentemente na Zona Sul de Natal (Melo, 1995), mostram que em uma área expressiva da zona urbana, as águas subterrâneas estão contaminadas por nitratos, com teores superiores ao limite estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 45 mg/l. As águas distribuídas a população pela CAERN são entretanto de boa qualidade. Os riscos se verificam no caso de poços particulares localizados nos setores afetados.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As águas subterrâneas da Região da Grande Natal constituem o recurso mais viável e seguro no atendimento as populações, não se cogitando de outras alternativas. Primeiro, porque as mesmas são suficientes para suprirem as demandas atuais e futuras e são de excelente qualidade em suas condições naturais. Com efeito, as reservas explotáveis do Sistema Aquífero Dunas/Barreiras são da ordem de grandeza de 280 x 106 m3/ano e no ano 2020 as necessidades hídricas da população deverão ser da ordem 208 x 106 m3, havendo portanto um saldo de 72x106 m3 para o atendimento a outras demandas, como é o caso do uso industrial. Tudo isto, sem considerar o uso das lagoas de Jiqui e Extremoz, que atualmente contribuem com 12 x 106 m3 e 16 x 106 m3/ano, respectivamente. Segundo, porque uma outra alternativa seria provavelmente a Barragem Armando Ribeiro Gonçalves localizada a 200 km de Natal. O que é impraticável, diante dos altos investimentos e elevados custos operacionais requeridos, quando se dispõe no local de um manancial com características tão favoráveis como as águas subterrâneas.
Diante da importância que representa as águas subterrâneas da Grande Natal na qualidade de vida da população e a vulnerabilidade do sistema aquífero Dunas/Barreiras de ser afetado pelas atividades do desenvolvimento urbano, é necessário a adoção de medidas de proteção das mesmas. Entre estas medidas, convém destacar a implementação de uma rede de esgotamento sanitário eficiente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FIGUEREDO, A. L.- Projetos de captação d'água na lagoa de Extremoz CAERN (Relatório Técnico)- Recife, 1984.
MELO, José Geraldo- Impactos do desenvolvimento urbano nas águas subterrâneas de Natal / RN. - Tese de Doutorado. - USP, São Paulo, 995.
MELO, José Geraldo; REBOUÇAS, A. C.; QUEIROZ, M. A. - Análise dos componentes hidrogeológicos da área de Natal / RN.- in: Congresso brasileiro de águas subterrâneas, 9º, Recife, PE, 1994- Anais - p. 471- 480
PLANAT. - Disponibilidade de recursos hídricos na Região de Natal - Água de superfície. Planejamento de Recursos Naturais.- CAERN (Relatório Técnico), - Natal, RN, 1982.

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